sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Globo News e a dicotomia "Estado x Mercado": o que está por trás disso?

 


A "mass media" nos impõe - continuamente - a falsa dicotomia entre mercado e estado. Hoje a Globo News em seu noticiário, repetiu o esquema batido para tentar interpretar a situação do Brasil. Na fala de seus jornalistas tudo que vem acontecendo conosco é culpa do fato de o Ministro do Planejamento do Governo Dilma - o sr. Nelson Barbosa - engessar as "mãos e pés" do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A versão da Globo News deixa patente o seguinte: economia deve se pautar por critérios puramente econômicos. Qualquer interferência política só pode ampliar a crise. A alegação não resiste a história: foi justamente a interferência política que salvou a economia ocidental de uma crise nos fins do século 19, interferência chamada imperialismo. Depois do crack de 29 foi outra interferência que também impediu o naufrágio da economia ocidental. O problema não está na interferência do Ministro do Planejamento mas sim no governo PT que é incompetente em planejar a curto, médio ou longo prazo. A única receita petista nessa área foi o estímulo ao consumo, meio fácil de obter votos e criar uma aparência de prosperidade. Faltou e falta um plano nacional de desenvolvimento consistente. E não é só ao PT que falta isso: nenhum partido hoje tem um plano desse a oferecer. 

É preciso entender que economia é meio e não fim. Assim deve sujeitar-se ao bem da comunidade nacional; não é a comunidade nacional que deve adequar-se a postulados econométricos mas a economia nacional que deve se pautar pelo interesse pátrio. Foi isso, em suma, o que fizeram as potências capitalistas atuais: quando o interesse nacional exigiu fecharam seus mercados e protegeram sua indústria para alavancarem o desenvolvimento interno. Hoje, estes mesmos países, sustentam a retórica da "abertura geral de mercados e fluxos de capitais". E nós compramos o discurso. O que a Globo News nos oferta é a lenga lenga neoliberal, que só foi adotada por estas mesmas potências capitalistas - como modelo econômico - depois de anos de keynesianismo  ter fortalecido os seus mercados internos graças a ajuda do estado. 

Não seria o caso de o Brasil fechar-se seu mercado mas o de saber aproveitar o fluxo de capital promovido pelo mesmo para empoderar-se. Isso, contudo, só seria possível se houvesse um verdadeiro estadista na cadeira presidencial. Enquanto as pessoas derem crédito a Globo News isto será impossível. 


Rafael G. Queiroz

  

A burrice "conservadora"!


O homem liberal quer garantir as liberdades individuais. Mas isto só é possível via Estado. Foi a revolução francesa quem ampliou o Estado para que ele tutelasse as liberdades. Para garanti-las o Estado Liberal teve que eliminar o poder da Igreja, dos corpos sociais, das municipalidades, etc. Não existe possibilidade de ampliar as liberdades individuais sem aumentar a tutela do Estado. Cada liberdade individual criada exige uma agência do Estado para administrá-la. A esquizofrenia do homem liberal fica evidente na polêmica existente aqui no Brasil sobre o PT. O homem liberal quer lutar contra o gigantismo estatal do PT usando a Constituição Federal - inspirada na carta francesa que abriu caminhos para o agigantamento do Estado. Os liberais, no fundo, nunca quiseram nem querem redução do Estado - a não ser aqui e ali, onde interessa diretamente a eles - mas conseguem reunir conservadores em torno de sua causa, iludindo-os sobre a causa a combater. Não resta dúvida que os conservadores do Brasil, grosso modo, são analfabetos políticos e presas fáceis dos demagogos liberais travestidos de "defensores do homem" contra o Estado Opressor!